sexta-feira, 28 de maio de 2010

Alma gêmea


E lá estava ele o menino mais fofo que já vi em todos os meus poucos quinze anos de existência.
Nunca soube o nome dele, onde mora, ou qualquer outra coisa sobre sua vida, exceto o fato de que ele ia todos os dias no mesmo lugar, no mesmo horário para tocar violão.
Eu soube que ele era minha alma gêmea desde a primeira vez que o vi ali tocando, mas a ousadia que eu tinha para falar com os outros, mudou naquele momento.
Alias tudo em mim mudou, eu já não era mais a adolescente rebelde, que fugia para sair com as amigas, e nem a garota atrevida que não tinha medo de nada.
Na noite passada decidi que iria falar ou me calar para sempre, mais quando o vi ali sentado tão concentrado, a coragem novamente foi embora, comecei a pensar melhor, e as dúvidas foram surgindo no lugar da certeza que eu tinha.
“Talvez não seja o momento, é melhor repensar "_era só essas palavras que se passavam na minha cabeça tão confusa.
Se ele estivesse muito concentrado, compondo uma canção inédita, uma desconhecida como eu, teria o direito de estragar esse momento? Acho que não.
Fiquei meia hora repensando se aquela era o melhor momento para chegar mais perto, se aquilo não era loucura, o melhor era eu me calar para sempre.
Aquela história de pensar melhor desapareceu quando outras palavras invadiram minha consciência.
“Saia daqui; vá embora "_uma voz tentava gritar em minha cabeça, mas tudo que se ouvia era um leve sussurrar.
_ Algo diz para eu ir embora _ eu disse baixinho.
Apesar de está confusa eu sabia realmente o porquê eu queria ir embora, a insegurança falava mais alto, mesmo estando tão apaixonada por aquele garoto, o medo não deixava que eu desse dez passos até chegar nele, se eu vencesse o medo tudo ficaria mais fácil de resolver.
Quando eu estava disposta a ir embora de vez para nunca mais voltar, uma folha de papel veio em minha direção, eu consegui pega-la antes que o vento a soprasse para longe de mim.
E lá estava à música que ele estava compondo, talvez só um rascunho, ou ele talvez nem quisesse mais, por isso não percebeu que o vento levou.
Eu queria ficar com a folha, seria uma lembrança, mas eu não tinha o direito de ficar com o que não me pertencia, fui até ele e cutuquei o seu ombro.
Quando ele me olhou, eu disse_ sei que você está muito concentrado, me desculpa eu não queria atrapalhar a canção no meio, mas essa folha é sua._ as palavras se atrapalharam.
O nervoso tomou conta de mim naquele momento e tudo o que ele disse foi _ eu a deixei voar para que a minha admiradora viesse buscar a música que eu compus para ela, minha alma gêmea, você.



4 comentários:

  1. Mto lindo.. parabéns.. continue com esse seu sonho de ser escritora vc leva jeito... Um beijo no core!!!

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  2. Tá acabando... vc não vai participar?
    http://literaturasdomundo.blogspot.com/2010/05/promocao-i-love-nigth-of-house.html

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